Quando a antena de 5G foi instalada no centro de Uberlândia, em Minas Gerais, o prefeito convocou uma coletiva de imprensa. Parecia exagero — afinal, é só uma tecnologia de telefonia. Mas quem acompanhou o que aconteceu nos meses seguintes entende o entusiasmo.

Três empresas de tecnologia abriram escritórios na cidade em menos de seis meses. Uma startup de telemedicina passou a oferecer consultas em tempo real para municípios vizinhos sem cobertura médica adequada. Uma cooperativa agrícola implementou monitoramento remoto de lavouras com latência de milissegundos.

Além das capitais

O Brasil tem hoje cobertura 5G em todas as capitais e em dezenas de cidades com mais de 100 mil habitantes. A Anatel estipulou metas de expansão que obrigam as operadoras a cobrir municípios menores até 2027. O cronograma está sendo cumprido — em alguns casos, antecipado.

Para cidades como Juazeiro do Norte, no Ceará, ou Rondonópolis, no Mato Grosso, a chegada do 5G não é apenas uma melhoria de velocidade. É uma mudança de patamar competitivo. Empresas que antes precisavam estar em São Paulo ou Brasília para ter acesso a infraestrutura de comunicação de qualidade agora podem operar do interior com a mesma eficiência.

O desafio da inclusão digital

Mas há uma tensão importante nessa expansão. O 5G chega às cidades médias, mas a população de baixa renda dessas cidades — que muitas vezes ainda usa planos de dados pré-pagos com franquias limitadas — não necessariamente se beneficia de imediato. A infraestrutura avança mais rápido do que o acesso acessível.

Pesquisadores do Cetic.br apontam que o Brasil ainda tem cerca de 40 milhões de pessoas sem acesso regular à internet. O 5G pode ser a tecnologia mais avançada do mundo, mas não resolve o problema de quem não tem smartphone ou não consegue pagar por um plano de dados adequado.

A expansão da conectividade é real e importante. Mas ela precisa ser acompanhada de políticas de inclusão digital que garantam que os benefícios cheguem a quem mais precisa — não apenas a quem já tem condições de aproveitar.

Evolução: 2021–2026 2021 2023 2025 2026