A ciclovia da Avenida Paulista virou símbolo — para o bem e para o mal. Para o bem, porque mostrou que São Paulo poderia ter infraestrutura cicloviária de qualidade. Para o mal, porque gerou uma corrida de outras cidades para construir ciclovias sem o mesmo cuidado no planejamento.
O resultado foi uma primeira geração de ciclovias brasileiras que, em muitos casos, não funcionou. Ciclovias que terminavam do nada, que não conectavam origens e destinos relevantes, que eram perigosas por falta de sinalização, que eram ocupadas por motos e carros quando conveniente.
O que mudou
A segunda geração está sendo diferente. Cidades como Fortaleza, Curitiba e Recife estão investindo em planejamento antes de construir. Isso significa pesquisa de origem e destino — entender onde as pessoas querem ir de bicicleta, não apenas onde é mais fácil construir. Significa integração com o transporte público. Significa manutenção contínua.
Fortaleza tem hoje mais de 600 km de infraestrutura cicloviária, e o uso cresceu 180% entre 2020 e 2025. O segredo, segundo os técnicos da prefeitura, foi simples: perguntar para os ciclistas o que eles precisavam, e construir isso.
O papel da tecnologia
Aplicativos de mapeamento colaborativo, sensores de contagem de ciclistas e dados de GPS de aplicativos de navegação estão ajudando as cidades a entender melhor como as pessoas usam — ou não usam — a infraestrutura existente. Esses dados permitem ajustes em tempo real e planejamento mais preciso de novas rotas.